Acordamos em Teófilo Otoni não muito cedo, depois da "puxada" de ontem a gente precisava descansar um pouquinho. Acordamos, fizemos todas as preparações habituais, arrumamos as motos e resolvemos tomar café da manhã no hotel mesmo, nada de ter que parar na estrada pra tomar café, o plano era dar uma "tocada" forte pra chegar ainda com luz do dia na Chapada e poder procurar uma cidadezinha agradável e com custo baixo pra gente pernoitar. Depois do café, tudo pronto, ligamos as motos e fomos embora de novo, mais um dia de viagem pela frente, paramos num posto de gasolina pra abastecer as motos e aí aconteceu o maior imprevisto desta viagem, após abastecer minha moto, olhei pro Diego que voltava da cabine do cartão de crédito e perguntei se ele já havia pago o abastecimento dele, no que ele respondeu afirmativamente disse então pra ele que eu ia calibrar os pneus e achei que ele tinha escutado (mas na verdade ele não escutou, porque sempre viajamos com protetores auriculares nos ouvidos por causa do barulho do vento e do escapamento), fui pra área da calibragem que ficava atrás de um muro no posto e após calibrar os pneus voltei pro local onde havia visto o cara pela última vez. Minha surpresa ao chegar, "cadê o maluco?". Fiquei intrigado e fui perguntar ao frentista do posto se ele havia visto meu amigo, ele me respondeu que ele estava me esperando atrás de um caminhão mais a frente, próximo à saída do posto, fui até o local e não tinha ninguém. Mistério total, voltei de novo e outro frentista me disse que viu ele saindo do posto e tomando o rumo da BR, sai a “milhão” do posto atrás do cara e como eu sempre ando mais rápido que ele achei que logo o alcançaria, rodei uns 10 km e nada de ver o doido, parei em um local onde tinham algumas pessoas e perguntei se tinham visto uma moto preta “assim, assado” e todos disseram que não viram ninguém passar por lá, achei então que ele tinha tido o bom senso de voltar ao posto pra me procurar e resolvi voltar pra cidade e ir no posto novamente, mas nada, o cara tinha sumido. Pensei um tempo e resolvi ligar pra minha mulher e pra mulher dele avisando o que tinha acontecido e dizendo a elas que eu seguiria viagem, mas sempre parando pra pegar informações com elas sobre onde ele estaria, achei que ele faria a mesma coisa, engano meu, mas isso conto mais a frente. Bem ... continuei meu caminho, mas dessa vez sem pressa, sempre parando pra perguntar por ele e pela moto preta e nada, rodei a manhã inteira, chegou a hora do almoço e resolvi parar em um posto na divisa de Minas Gerais e Bahia para comer alguma coisa e depois continuei minha viagem. O que muito nos atrapalhou foi o fato de estarmos numa área onde não havia cobertura de telefonia celular da Tim, que era o que nós usávamos, as únicas operadoras que funcionavam naquela região eram a Vivo (mal e porcamente) e a Claro (que era a boa), mas a gente não tinha chip da Claro. Continuei minha saga da caça ao gordo fujão e já tava muito “puto” da vida e totalmente estressado com aquela situação, nada do cara fazer contato com ninguém. Numa cidade onde por milagre consegui o sinal da Tim, liguei de novo pra mulher dele e pra minha e avisei que caso conseguisem contao com ele era pra dizer que nosso ponto de encontro seria na cidade de Vitória da Conquista/BA e segui em frente, mais a frente em outra cidadezinha onde tinha sinal recebi uma mensagem dizendo que ele havia passado de Vitória da Conquista e estava em uma cidade da Bahia chamada Anagé e que me esperaria lá, a mulher dele conseguiu contato com ele e me mandou a mensagem (só que isso foi as 11:30 da manhã e eu só recebi a mensagem às 14:00) rumei pra Anagé e cheguei por volta das 15:30 embaixo de uma chuva torrencial, entrei na cidade rodei um pouco perguntei e nada dele, fui pra estrada e parei nos dois postos de gasolina, perguntei e nada dele, fiquei mais irritado ainda. Resolvi seguir mais adiante pra ver se tinha sorte de encontrar o gordo fujão, rodei 85 km até a cidade de Brumado achando que estava no caminho certo, quando cheguei lá descobri que estava completamente errado (o mapa ficou com o Diego e eu estava andando ás cegas), já eram 17:00 e resolvi voltar pra Anagé, de novo mais 85 km (no total foram 170 km de erro no percurso), na volta presenciei uma das visões mais fantásticas e incríveis de toda a viagem, ao começar a descer uma pequena serra voltando pra Anagé, caia uma chuvinha fina e eu estava dentro de uma neblina forte, de repente comecei a sair da neblina, a minha direita o sol apareceu entre nuvens cor de chumbo com seus raios brilhando fortes, aqueles raios de sol de final de tarde quando ele já esta se pondo e a minha direita tudo cinza de nuvens carregadas de chuva ao longe, eu estava descendo este caminho com o sol a minha direita, as nuvens a esquerda e dois arco-íris brilhantes em cima de mim, era como estar passando embaixo de dois arcos incrivelmente coloridos, foi fantástico (nessa hora não me arrependi de ter feito o percurso errado até Brumado. Cheguei em Anagé embaixo de uma chuva fininha e fui atrás de informações sobre hospedagem, estava escurecendo e não valia a pena continuar na estrada, muito menos sozinho. Parei num mercadinho e comprei um chip da Claro pra poder ter contato com o mundo exterior, liguei pra minha mulher e pra mulher do Diego avisando minha situação e que não iria mais procurar o gordo fujão, estava com muita raiva e decidi que voltaria pra Belém no dia seguinte, foi quando fiquei sabendo que ele por ter chegado cedo à Anagé, depois de muito me esperar resolver continuar em direção ao nosso destino que era Lençóis ou outra cidadezinha próxima. Consegui hospedagem no hotel do posto de gasolina da cidade (fora este só tinha mais um e era horrível), as acomodações eram muito boas e o preço melhor ainda, paguei R$ 20,00 por um dos melhores hotéis de estrada que fiquei. Após tomar banho fui procurar uma Lanhouse e me conectei com o mundo, conversei com o Rafa, nosso integrante que não viajou e ficou em Belém como contato de apoio, disse minha situação e desabafei minha ira, ele procurou me acalmar e disse que conseguiu falar com o Diego, de manhã quando a gente tava no posto ele não me ouviu dizer que ia calibrar os pneus e depois que ligou a moto não me viu e achou que eu tinha saído na frente dele e que já estava a caminho, como ele sabe que eu ando rápido resolveu “arrochar” o cabo do acelerador pra ver se me achava e fez isso o dia inteiro achando que eu estava a frente dele na estrada. Pra resumir ele tinha rodado o dia inteiro e tinha chegado em Andaraí/BA, cidade dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina e que iria me espera lá, não sairia sem que eu chegasse, aí mesmo que eu fiquei mais irritado com a falta de atitude do meu parceiro de viagem de parar, buscar informações se ligar para nossas mulheres pra tentar me achar, enfim, coisas que acontecem. Preparei todo um roteiro de volta para Belém, tava muito chateado e resolvi que não iria me encontrar com ele em Andaraí, seguiria direto para Juazeiro/BA ou Petrolina/PE pra tentar tirar dinheiro em algum banco e seguir viagem (minha maior “bronca” era que meu dinheiro, a maior parte dele, estava na conta do Diego e eu tinha pouco em mãos pra seguir viagem e chegar em casa, caso a gente não se encontrasse). Fui dormir que era a melhor coisa que eu podia fazer, no dia seguinte eu teria uma longa e solitária jornada pela frente seguindo pra casa. Isso não aconteceu, mas aí já outra parte da história que conto depois.
Cenas da viagem solitária
Travessia da divisa dos estados deMinas Gerais e Bahia
Elá vem a chuva de novo, estrada com muita água, já me sentia um peixe







